Cores de 2020, o ano dos azuis. O que isso significa?

Nno mundo da decor ou do design, o azul aparece em destaque em vários tons. E tem a ver com o comportamento humano.

Joyce Diehl

 

Todo fim de ano e início de outro fica aquela expectativa de saber: quais as cores do ano?  Para vários setores, essas “cartilhas” identificam as cores que serão usadas em design, design gráfico e moda (Pantone)  e na arquitetura, arquitetura de interiores, decor,  etc. ( Coral, Suvinil, Sherwin-Willians ).

Mas, muito além da cor, interessa ver o seu significado, porque foi escolhida – ou escolhidas – por especialistas de vários setores e vários lugares do mundo. E aparentemente, todas chegaram a uma só conclusão de cor: azul, esse em seus mais variados tons, do super suave ao quase vibrante – mas todos com ares retrô. A cor conhecida por sugerir calma e relaxamento –  e para muitos como a liberdade do jeans –  foi a aposta das marcas Sherwin-Williams, Suvinil e Coral para 2020. E, não por coincidência, identifica a cor do ano da Pantone. Uma cor vista por muitos como tom que nos mantém focados e como foco ( vide empresários e seus 50 tons de azul!), retidão, pensamentos coordenados. Ao mesmo tempo que pacífica e, conforme especialistas,  facilmente identificável, essa cor favorita mundialmente atua como um fio conector de inclusão entre pessoas de formações, culturas e personalidades diversas. Não é disso que precisamos?

Praça no Inverno, a escolhida da Coral

A Coral, a cor da vez é Praça no Inverno. Nome certo para um tom que pretende trazer a paz do céu na manhã e que traz um toque humanitário aos espaços. Conforme a empresa, este tom versátil pode ser usado para criar espaços de atendimento ou diversão, para encontrar significado ou alimentar a criatividade – um leque bem aberto, diga-se de passagem – dependendo de seus “pares”.

 

 

Divulgação Coral

Espaço de Ana Cristina Cunha, Casa Cor PE 2019

Praça no Inverno pode funcionar de maneiras diferentes em uma paleta quente, neutra, suave ou viva. A própria cor abre esse leque, passeando entre o verde, o azul e o cinza – igual à beleza passageira de um céu da manhã, dai o nome – tornando-a uma cor perfeita para anos assim, indefinidos.

 

A Suvinil foi mais além e escolheu outro tom de azul de nome bem sugestivo: Mantra. A mote é repensar os valores, buscando novas formas de relacionamento com o mundo, equilíbrio entre nosso bem-estar e toda a tecnologia que nos cerca ( livrai-me das telas, meu Deus!). Uma cor que encoraja pequenas mudanças – aquelas, tão necessárias – e reverbera para além do indivíduo. Conforme a empresa, indivíduos em um mundo em constante estado de mudança ( indefinição) precisam ressignificar suas vidas , rever desejos – o que traz a necessidade de relaxamento. Repouso para os olhos e para a alma.

 

Batizada de Mantra, a cor do  ano da Suvinil,  se divide em dois subtons –  Horizonte e Contemplação – três nuances inéditas de um verde azulado meditativo e regenerador.

 

Um tom de azul mais profundo foi o eleito pela Sherwin-Williams – mas não menos bem pensado. Naval  é um azul inspirado no mar, equilíbrio entre a calma e a ousadia. Pensado para ser destaque no ambiente, traz a calma de um “céu noturno”, aquele que guiou e inspirou tantos viajantes de outrora – e  nossos nômades da vez.  Com ares do apogeu do  Art Deco no anos 20, combina com mármores, metais diversos, acorda quando combinado com materiais naturais como couro e fibras, além de ajudar a destacar itens de design. Versátil, a cor serve como coadjuvante ou protagonista.

 

Naval, da Sherwin-Williams, vem inspirado no mar

Além do mundo das tintas – e leme para coleções de objetos, design gráfico, moda e outros – o mundo Pantone elegeu o Classic Blue (Pantone 19-4052), um tom atemporal, resistente e resiliente, conforme o Instituto. Elegante e simples ao mesmo tempo, conforme onde e como se usa. Inspira calma, confiança e conectividade. Lembra o céu noturno do entardecer, trazendo o frescor de mensagens confiantes e empáticas e aumentando nossa aspiração por uma base sólida e estável sobre a qual construir frente ao futuro incerto. Viver o hoje da melhor forma.

    

Reflexiva e refletiva,  a nova cor do ano da Pantone: Classic Blue

E vai além: identificada pelo nossa psique como  cor tranquila, Classic Blue traz paz, serenidade, sensação de proteção ao espírito humano. Impactando sobre a concentração e trazendo uma claridade mental, reflexiva e refletiva, leva ao equilíbrio dos pensamentos: força para mudar o que dá para mudar, e resiliência e mudança de sentido quando não. Pensada como porto seguro, Classic Blue nos incentiva a olhar além do óbvio e assim expandir nosso pensamento, desafiando a refletir com mais profundidade, aumentar nossa perspectiva, nosso foco,  encorajar novas conexões humanas e abrir o canal da comunicação –como todo azul profundo.

Um azul sem limites,  pois evoca o vasto e infinito céu noturno, Classic Blue nos inspira a experimentar o olhar além do óbvio, nos encorajando a expandir nosso pensamento, desafiando-nos em mergulhos mais profundos, aumentando a nossa perspectiva, abrindo o canal da comunicação. E ao mesmo tempo instigante, contemplativa, reflexiva, multissensorial.

Pantone resume o que os mundos – “de fora” e de dentro – mais necessitam em tempos de liquidez de moradia, de nacionalidades, de trabalhos, de relacionamentos, de anticonvenções e ao mesmo convenções fincadas no passado, antíteses e segregações: empatia – um novo tipo de conexão tão esquecida. Uma nova experiência. Com os outros, com a gente mesmo, com  a natureza, com o planeta. Desenvolver novas associações, fortalecer a experiência, aprofundar a conexão e intensificar a memória  – e tudo isso com muita reflexão  e calma, principalmente a interior.

A alegria, que vem de cores complementares inspirados na natureza (muitos tons de verde, de terra), das estampas florais e natureza em geral.  São bem vindo os materiais naturais e suas referências – como a madeira de reuso, as fibras, as plantas, poupando os bichos –  as peças únicas feitas á mão e outros produtos naturais que nos oferecem acolhimento e paz.  E tudo o mais que traga conforto- físico e emocional -, e melhore nosso estado de espírito.

 

Joyce Diehl, arquiteta.



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