Novos tempos ou revisão das relações? O que muda no mundo da decor.

O novo normal pede reflexão e mudanças. O que vem por ai?

Joyce Diehl (*)

Todo ano fazemos matéria sobre as coleções do ano que se inicia – e as tantas vertentes. Ou tendências, como muitos gostam de dizer, que nos falam de comportamentos, de pessoas, de experiências, bem além de produtos. Em anos atípicos e sem precedentes como estamos vivendo, em que apostar? Gosto da trilogia citada pela Castelatto:

Resgatar

Repensar

Ressignificar

 

– Escolhas atemporais, mas sem deixar de serem pessoais, customizadas, cheias de expressão, que alguns chamam de maximalismo, em contraposição com o minimalismo reinante. Quase um movimento de contraposição, de rebeldia;

– Liberdade de escolha. Seja em formatos, formas de usar, composições, estampas, cores. Designs que trazem à tona a criatividade – de revestimentos a mobiliário, com ou sem profissional. Vem desta pauta o conceito mix & match, misturar e combinar.

– Produtos seguros, com fácil limpabilidade e/ou fácil manutenção. Coisa que muitos países já têm em pauta;

– Produtos sustentáveis, de marcas idem, dentro dos “5 Rs” da sustentabilidade: repensar, reduzir, recusar, reutilizar e reciclar. Entra, aqui, o pensamento circular (do berço ao berço) e conceito de upcycling (reutilização criativa), que valem uma outra matéria;

Como se vê, o mundo gira todo para um mesmo lado. A isso se chama tendência: tender a. Não seria o setor de arquitetura que iria caminhar ao contrário.

 

Joyce Diehl, arquiteta, especializada em branding.

Todo ano fazemos matéria sobre as coleções do ano que se inicia – e as tantas vertentes. Ou tendências, como muitos gostam de dizer, que nos falam de comportamentos, de pessoas, de experiências, bem além de produtos. Em anos atípicos e sem precedentes como estamos vivendo, em que apostar?

 

Arquitetura de interiores em apartamento de prédio dos anos 1960,  por Botti Rubin Arquitetos. Revista Use.

Muitos anos atrás – mais precisamente pós queda das Torres Gêmea, há 20 anos (Nossa! Já?) – chamei de memória afetiva uma onda, que virou uma constante, da casa como oásis e com a nossa cara. Um lugar seguro, material e afetivamente, com escolhas que nos religassem com o que temos de melhor – geralmente ligado ao passado – e com o que realmente somos. Com escolhas feitas a partir do que nos deixa bem, nos faz sentir “em casa”. E não é isso que todos sonham – pelo menos aqueles que veem a casa como lar e não vitrine?

 

Lançamento Pau a Pique, Coleção Castelatto 2021

 

São tempos de descobertas. Ou redescobertas. O novo normal, visto como passageiro, se transformando em rotina, aumentando o valor do que temos – casa, família, hobbies, escolhas.  E de quem somos. O valor das experiências, mesmo dentro de casa, como moeda de valor. Nunca o mercado de gastronomia esteve tão em alta. Nunca o mercado de reformas, jardinagem, hobbies e outras melhorias – da casa e das pessoas (vide alta nas buscas sobre meditação, livros, cursos on line)  – estiveram tanto tempo nos TOP 10 de buscas na internet (bendita seja!). E que, em termos de arquitetura e design de interiores, ganham nome mais pomposo: design afetivo.

Fala-se, até, em “era da economia afetiva”. A (re)valorização do lar como oásis. E nele, num primeiro momento, da valorização do que você mesmo faz – vide aptidões, conhecidas ou não, que viraram negócios, como comidas, pães e doces.

 

Pinterest

 

E, para isso ou também por conta disso, a valorização de produtos feitos a mão, de comércio locais, vicinais até, presenciais ou virtuais – inclusive com campanhas institucionais de grandes bancos. E o máximo aproveitamento de materiais – aqui numa onda de sustentabilidade que virou tsunami, a quem o planeta e as próximas gerações agradecem. São tempos de novos valores. Ou, melhor dizendo, são tempos de reais valores e não precificação. Uma, quem sabe, humanização do consumismo. O ecologicamente correto e o socialmente justo na pauta, revelando uma nova relação, a do ganha-ganha.

 

Projeto de Mauricio Arruda

 

Isso muda, com certeza, a relação profissional-cliente, como também já havia pautado. A coprodução do arquiteto ou designer de interiores com o consumidor. Assunto descoberto, não faz muito tempo, por programas e séries de TV. Vide Mauricio Arruda, à frente do programa Decora, do canal GNT que, ao participar de um evento de lançamento de coleção do ano, confidenciou à enorme plateia virtual que hoje “a estrela do projeto é o morador e não o arquiteto”. E do como isso afeta o planejamento de um espaço, do projeto à obra. De um processo que nasce aos poucos, em colaboração com o cliente, sem o estrelismo da surpresa do projeto entregue pronto, como uma resposta unilateral do contratado ao contratante, na era da renderização, do desenho que convence, sem muitas vezes caber (no espaço e/ou no bolso). A meu ver, demoraram para descobrir. Afinal, quem vai morar dentro dele? Ou, pior, quem vai pagar por isso? Cabe aqui um conceito em alta em vários outros setores: o co – de coletivo, colaborativo, compartilhado, de cooperar, coproduzir. Afinal, já temos o coworking, e outros tantos conceitos já enraizados para o morar, o vestir, a mobilidade.

Mas, o que isso afeta, literalmente, as escolhas das marcas do setor?

 

Iluminação natural, jardim interno,  ladrilhos e mobiliário da família  no projeto da Vão Arquitetura (Casa e Jardim)

 

– Arquitetura com escolhas mais inteligentes: cozinha aberta para a sala, espaços com múltiplo uso, varandas usáveis, entradas de luz sempre que possível, ventilação em destaque;

Porcelanato Amazon, da coleção Biancogres 2021

 

– Escolhas atemporais, mas sem deixar de serem pessoais, customizadas, cheias de expressão, que alguns chamam de maximalismo, em contraposição com o minimalismo reinante. Quase um movimento de contraposição, de rebeldia;

Liberdade de escolha e materiais mais naturais entre as tendências 2021 para mobiliário. Veja mais em DecorStyle.

 

– Liberdade de escolha. Seja em formatos, formas de usar, composições, estampas, cores. Designs que trazem à tona a criatividade – de revestimentos a mobiliário, com ou sem profissional. Vem desta pauta o conceito mix & match, misturar e combinar;

 

Kit Domo, Eliane, coleção 2021

 

– Liberdade de escolha. Seja em formatos, formas de usar, tipo de uso, liberdade de composições, estampas, cores. Designs que trazem à tona a criatividade – de revestimentos a mobiliário – , com ou sem profissional;

 

Lançamento Tarkett 2021. Artwall. Vinilico lavável, de base têxtil

 

– Produtos seguros, com fácil limpabilidade e/ou fácil manutenção. Coisa que muitos países já têm em pauta;

 

Mobiliário com madeira de reuso, Home Garden.

 

Mobiliário da Home Garden, em madeira de reuso,  neste espaço personalizado. Home Garden.

 

– Produtos sustentáveis, de marcas idem, dentro dos “5 Rs” da sustentabilidade: repensar, reduzir, recusar, reutilizar e reciclar. Entra, aqui, o pensamento circular (do berço ao berço) e conceito de upcycling (reutilização criativa), que valem uma outra matéria;

 

–  Dentro da ideia de mais simples, essencial, produtos mais naturais, ou inspirados neles, como madeiras, matas, rochas. A tal biofilia, que já falamos tanto, uma forma de aproximar-nos da natureza de alguma forma ( veja matérias anteriores).

 

Varanda com uso múltiplo, Casa e Jardim

 

E no mercado imobiliário, a resposta: aumento da procura por apartamentos maiores (mesmo os mais antigos, geralmente com espaços mais amplos) ou com varandas, terraços ou sacadas, casas com jardins, casas de vilas e/ou em pequenos condomínios. E não estamos falando de luxo: estamos falando de bem viver.

Já em interiores, formas orgânicas, materiais naturais, texturas, cores, o “tudo junto e misturado” – desde que se sinta bem, que ainda podemos chamar de decor eclética. Os mesmos caminhos se vê  até na moda que se veste, essa voltada para tecidos mais naturais, roupas mais confortáveis (comfy mood), marca mais responsáveis e que ouçam mais o consumidor.

Como se vê, o mundo gira todo para um mesmo lado. A isso se chama tendência: tender a. Não seria o setor de arquitetura que iria caminhar ao contrário.

 

Joyce Diehl, arquiteta, especializada em branding.



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