A quarentena e a nossa casa: o que vem por ai?

O que a queda das Torres Gêmeas e o Covid19 têm em comum e como vão modificar nosso jeito de viver
Joyce Diehl

Quando tivemos a queda das Torres Gêmeas, e isso já faz quase 20 anos, as mudanças foram tão grandes pelo mundo – mesmo nos mais distantes lugares, que modificaram, que seja um pouco, nossa forma de viver, de ver a vida. Naquela época, houve uma explosão de entregas em casa, os hoje tão comuns serviços de delivery. Na época, isso foi medido pelo aumento até então inexplicável de produção de embalagens para entrega, como caixas de pizza. A insegurança das ruas levou as pessoas a repensarem seus momentos de lazer. Ficar em casa parecia, ser a melhor escolha. Talvez a única.

A insegurança faz com que o homem se proteja e proteja os seus da melhor forma possível – nem que seja fazendo a filha rir dos barulhos das bombas em plena guerra – como já vimos na vida real, ou em filmes, como A vida é bela. E modificou gradualmente nossa forma de ver a casa, nossa ilha, oásis de todas as horas. Principalmente a cozinha, tão desprezada pelos americanos de Nova Iorque. O momento pedia reclusão, sim, mas em grupo. Preparar alguma coisa em casa e chamar os amigos. Ou simplesmente servir algo, já que o ser humano não sabe se reunir sem comida e bebida, sejam elas quais forem. E também o tal home office, até que a cidade conseguisse se estruturar. Parece conhecido?

A modificação das cozinhas trouxe uma avalanche de desdobramentos: novo estar, bem comer, hortas em casa ( nem que seja em vasos), interesse pelos orgânicos, interesse pela gastronomia (blogs, sites incentivando o “faça você mesmo”, ou indo além com aumento de cursos por ai, on line ou presenciais, novo hobbie). Em arquitetura e design de produtos, as mudanças são óbvias! A cozinha, antes fadada a ficar por detrás das portas, rompe barreiras e paredes – essas literalmente – e se abre para a sala, que reúne sala de jantar e home theater, outro que trouxe aumento de interesse por televisões, equipamentos, serviços de televisão à cabo, portais de filmes, e tantos outros. Os dois espaços ganharam um “banho de loja”, com produtos que unem função e beleza. Vão de pequenos objetos de cozinha até os deliciosos sofás com chaise, mesinhas para servir os lanchinhos e por ai vai. Até o hall de entrada vai se modificar…

Essa “conta” aumenta quando pensamos nas varandas. Antes lugar de secar roupas, ganham os chamados espaços gourmets que não fogem ao nome. Viram a nova cozinha, com todas as características que já se falou por aqui. E o mais novo centro das atenções em termos de empreendimentos de todos os portes: a existência de varanda aumenta o valor do imóvel, mas também facilita a venda.

E, em pleno 2020, que me chama atenção até pela pureza dos números*, somando quatro ( e muitas evidências nisso), estamos vivendo uma nova onda de reclusão. Desta vez, porém, não se tem o fator convívio. As famílias – e essa também passando por reformulações – está tendo que se reinventar dentro de casa. Trabalhar, estudar, fazer serviços domésticos, redescobrir o lazer. Por sorte, temos a Internet que vem ajudar nessa conexão – estar com o mundo, mesmo sozinhos. As vendas on line dispararam, os serviços de entrega chegou a áreas inimagináveis. E que não havia ainda pensado nisso, vai ter que se reorganizar. A compra e venda ficou sem seu contato corpo a corpo. A hashtag #fiqueemcasa inundou o mundo em várias línguas. Algo que teremos que reaprender. Inclusive a seguir mais nosso jeito de viver, nosso gosto, nossas possibilidades – a tal personalização de nossos sonhos dentro de nossos bolsos.

Isso tudo vai, ao longo do tempo, mexer ainda mais com nossas conexões com os espaços. Com a casa. Com o mundo todo que tivemos que montar dentro dela. Coube ali o escritório, a escola, a academia, o salão de beleza, quem sabe o pet shop. Revisaremos noções de disciplina, de higiene, de limpeza, de convivência com vizinhos, com familiares, amigos e conosco mesmo. Agora é esperar o que isso vai mudar nos espaços que vivemos. Mas uma coisa é certa: vai mudar. O mundo vai mudar. A casa vai mudar. E nós dentro deles.

Joyce Diehl, arquiteta com formação em Branding de Conexão, mestra em Educação à Distância e caçadora de tendências como hobby. Editora da www.revestir.com.br.

Sobre o numero 2020 (2 + 0 + 2 + 0)
Dentre as características do número 4, temos: trabalhador, honesto e determinado. Esse é o número da organização e da prática, ações sem rodeios, indo direto ao assunto. Seu símbolo, um quadrado, demonstra a manifestação do lado racional, conversador, dentro dos padrões. Mas a numerologia 4 é muito leal aos seus valores e só muda por meio de argumentos sólidos, depois de teimar bastante. Já o seu elemento terra representa a estabilidade e fidelidade. A numerologia número 4 prefere manter seus pés firmes no chão. Afinal, segurança é uma de suas palavras-chave.



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